29 de abril de 2011

O sapo


Era uma vez um sapo
Que no lago vivia feliz
Pouco se importando, só batendo papo
Falando dos outros, metendo em tudo o nariz

Uma chuva forte caiu de madrugada
O sapo assustado rápido se escondeu
Quando viu se debatendo na enxurrada
Uma linda borboleta: ficou parado emudeceu

Mas não hesitou o pequeno sapo
Pulou instantaneamente na enxurrada sem pensar
Nadou valente como um herói nato
Enfrentou as tormentas com quem luta contra o bravio mar

Num esforço medonho
Segurou firme aquela frágil dama
Que nos seus braços como num sonho
Se confortou como quem dorme sempre de pijama

Nadou até a margem
Salvou, completou seu intento
Mas naquela hora que imagem!
Ficou parado como num pensamento

Não percebeu que tinha salvo
Pois a noite estava escura, pretinha
Quando uma luz terna levou seu alvo
Tinha salvo, sem saber, uma linda anjinha.


Marcos Silva

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