Termino o ano com essa incessante dor Em ver que só posso sustentar-me só Sofro muito em esperar por qualquer calor Dessas frias geleiras que nem podem sequer ter pó.
Minha mãe, sua mãe, nossas mães: todas as mães Que sempre moram, sem pedir licença, em nossos corações Nos povoem, quando podem, de inteligente benevolência como a dos pães Que matam qualquer fome e de qualquer filho, independentemente se peçam em orações.
Só me sei ser esse Dom Quixote infeliz Que e mesmo tendo essas doces e tolas venturas Quero sempre mais do que posso, qual insensata Beatriz Que do amar e do amor não sabe definir suas distantes e inatingíveis alturas.
Eu sempre achei que poderia, pra sempre, a todos poder convencer E mostrar o bem e os meus mais fortes e inabaláveis e corretíssimos valores E como um Dom Quixote, incansável e destemido, lutar romanticamente e sempre vencer Mas só me senti, frágil, besta e até imaturo e sequer tenho o direito de ter minhas inseguras dores.
Hoje descobri meu torto jeito de amar E que bom são todos os tortos jeitos de amar Pois amar deveria ser sempre uma equação sem resposta E nem sequer precisa, precisa-se apenas sentir de quem se gosta.